Seu Carlos...bom dia mas bom dia mesmo!



Um ser humano que morre é como se um pouco da gente fosse também, e que dizer de uma pessoa que você encontrava quase todos os dias durante cinco anos.

Nunca fui próxima dele nem éramos amigos, apenas trabalhávamos no mesmo local.

Foi uma pessoa discreta, calada mas simpática.

Quando nos encontrávamos era sempre quando eu chegava e ele estava na área externa do prédio fumando seu cigarrinho. Seu cumprimento era sempre o mesmo: “Bom dia! Mas Bom Dia mesmo!

Eu sempre achava engraçado e morria de rir daquele tom grave de sua voz.

A primeira vez que ouvi seu bom dia tomei um susto, ai alguém me viu assustada e disse ele trabalha aqui Telma, assim fomos apresentados.

Por que então escrever sobre uma pessoa tão discreta e de pouca aproximação. Não sei, tive vontade de registrar sua presença.

Amanhã fará sete dias de sua partida e nem missa de sétimo dia ele terá. Acho tão triste isso, essa solidão e esse isolamento.

Chegou nesse local de trabalho com 19 anos de idade e saiu aposentado com 62 anos de idade e nem uma caneta de ouro recebeu pelos serviços prestados.

A marca da humanidade sem dúvida é a ingratidão, o mal que fazemos as pessoas de bem, aquelas que só querem viver e ser felizes. Não roubam, não matam têm uma vida normal cotidiana e banal.

E os outros que acham que tem o poder nas mãos e podem decidir sobre a vida dos outros deitam suas cabeças no travesseiro e pensam que são felizes...é assim caminha a humanidade!

Descanse em paz seu Carlos !
 

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