DISCURSO DE POSSE DO 2° MANDATO DA
PRESIDENTA DILMA VANA ROUSSEFF
36ª presidente do BRASIL e eleita
democráticamente pelo povo brasileiro – 2015 a 2019
"Senhoras e Senhores,
Senhor presidente do Senado Federal,
Renan Calheiros,
Senhor vice-presidente da República,
Michel Temer,
Senhor presidente da Câmara dos
Deputados, Henrique Eduardo Alves,
Senhoras e senhores Chefes de Estado,
Chefes de Governo, Vice-chefes de Estado e Vice-chefes de governo que
me honram com suas presenças aqui hoje.
Senhor presidente do Supremo Tribunal
Federal, ministro Ricardo Lewandowski,
Senhores e senhores chefes das missões
estrangeiras e embaixadores acreditados junto ao meu governo,
Senhoras e senhores ministros de
Estado,
Senhoras e senhores governadores,
Senhoras e senhores senadores,
Senhoras e senhores deputados federais,
Senhoras e senhores representantes da
imprensa,
Meus queridos brasileiros e
brasileiras.
Volto a esta Casa com a alma cheia de
alegria, de responsabilidade, de esperança. Sinto alegria por ter
vencido os desafios e honrado o nome da mulher brasileira. O nome de
milhões de mulheres guerreiras, mulheres anônimas que voltam a
ocupar, encarnadas na minha figura, o mais alto posto dessa nossa
grande nação.
Encarno, também, outra alma coletiva
que amplia ainda mais a minha responsabilidade e a minha esperança.
O projeto de nação que é detentor do mais profundo e duradouro
apoio popular da nossa história democrática. Esse projeto de nação
triunfou e permanece devido aos grandes resultados que conseguiu até
agora, e que porque também o povo entendeu que este é um projeto
coletivo e de longo prazo. Este projeto pertence ao povo brasileiro
e, mais do que nunca, é para o povo brasileiro e com o povo
brasileiro que vamos governar.
A partir do extraordinário trabalho
iniciado pelo governo do presidente Lula, continuado por nós, temos
hoje a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a
tragédia da fome. Resgatamos 36 milhões da extrema pobreza e 22
milhões apenas em meu primeiro governo.
Nunca tantos brasileiros ascenderam às
classes médias. Nunca tantos brasileiros conquistaram tantos
empregos com carteira assinada. Nunca o salário mínimo e os demais
salários se valorizaram por tanto tempo e com tanto vigor. Nunca
tantos brasileiros se tornaram donos de suas próprias casas. Nunca
tantos brasileiros tiveram acesso ao ensino técnico e à
universidade. Nunca o Brasil viveu um período tão longo sem crises
institucionais. Nunca as instituições foram tão fortalecidas e
respeitadas e nunca se apurou e puniu com tanta transparência
a corrupção.
Em nossos governos, cumprimos o
compromisso fundamental de oferecer a uma população enorme de
excluídos, de pessoas excluídas, os direitos básicos que devem ser
assegurados a qualquer cidadão: o direito de trabalhar, de alimentar
a sua família, de educar e acreditar em um futuro melhor para seus
filhos. Isso que era tanto para uma população que tinha tão pouco,
tornou-se pouco para uma população que conheceu, enfim, governos
que respeitam e que a respeitam, e que realmente se esforçam para
protegê-la.
A população quis que ficássemos
porque viu o resultado do nosso trabalho, compreendeu as
limitações que o tempo nos impôs e concluiu que podemos fazer
muito mais. O recado que o povo brasileiro nos mandou não foi só de
reconhecimento e de confiança, foi também um recado de quem quer
mais e melhor.
Por isso, a palavra mais repetida na
campanha foi mudança e o tema mais invocado foi reforma. Por isso,
eu repito hoje, nesta solenidade de posse, perante as senhoras e os
senhores: fui reconduzida à Presidência para continuar as grandes
mudanças do país e não trairei este chamado. O povo brasileiro
quer mudanças, quer avançar e quer mais. É isso que também eu
quero. É isso que vou fazer, com destemor mas com humildade,
contando com o apoio desta Casa e com a força do povo brasileiro.
Este ato de posse é, antes de tudo,
uma cerimônia de reafirmação e ampliação de compromissos. É a
inauguração de uma nova etapa neste processo histórico de mudanças
sociais do Brasil.
Faço questão, também, de renovar,
nesta Casa, meu compromisso de defesa permanente e obstinada da
Constituição, das leis, das liberdades individuais, dos direitos
democráticos, da mais ampla liberdade de expressão e dos direitos
humanos.
Queridos brasileiros e brasileiras,
Em meu primeiro mandato, o Brasil
alcançou um feito histórico: superamos a extrema pobreza. Mas, como
eu disse - e sei que é a convicção e a expectativa de todos os
brasileiros -, o fim da miséria é apenas um começo. Agora é a
hora de prosseguir com o nosso projeto de novos objetivos. É hora de
melhorar o que está bom, corrigir o que é preciso e fazer o que o
povo espera de nós.
Sim, neste momento, ao invés de
simplesmente garantir o mínimo necessário, como foi o caso ao longo
da nossa história, temos, agora, que lutar para oferecer o máximo
possível. Vamos precisar, governo e sociedade, de paciência,
coragem, persistência, equilíbrio e humildade para vencer os
obstáculos. E venceremos esses obstáculos.
O povo brasileiro quer democratizar,
cada vez mais, a renda, o conhecimento e o poder. O povo brasileiro
quer educação, saúde, e segurança de mais qualidade. O povo
brasileiro quer ainda mais transparência e mais combate a todos os
tipos de crimes, especialmente a corrupção e quer ainda que o braço
forte da justiça alcance a todos de forma igualitária.
Eu não tenho medo de encarar estes
desafios, até porque sei que não vou enfrentá-los sozinha, não
vou enfrentar esta luta sozinha. Sei que conto com o apoio dos
senhores e das senhoras parlamentares, legítimos representantes do
povo neste Congresso Nacional. Sei que conto com o apoio do meu
querido vice-presidente Michel Temer, parceiro de todas as horas. Sei
que conto com o esforço dos homens e mulheres do Judiciário. Sei
que conto com o forte apoio da minha base aliada, de cada liderança
partidária de nossa base e com os ministros e as ministras que
estarão, a partir de hoje, trabalhando ao meu lado pelo Brasil. Sei
que conto com o apoio de cada militante do meu partido, o PT, e da
militância de cada partido da base aliada, representados aqui pelo
mais destacado militante e maior líder popular da nossa história, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sei que conto com o apoio dos
movimentos sociais e dos sindicatos; e sei o quanto estou disposta a
mobilizar todo o povo brasileiro nesse esforço para uma nova
arrancada do nosso querido Brasil.
Assim como provamos que é possível
crescer e distribuir renda, vamos provar que se pode fazer ajustes na
economia sem revogar direitos conquistados ou trair compromissos
sociais assumidos. Vamos provar que depois de fazermos políticas
sociais que surpreenderam o mundo, é possível corrigir eventuais
distorções e torná-las ainda melhores.
É inadiável, também, implantarmos
práticas políticas mais modernas, éticas e, por isso, mesmo mais
saudáveis. É isso que torna urgente e necessária a reforma
política. Uma reforma profunda que é responsabilidade
constitucional desta Casa, mas que deve mobilizar toda a sociedade na
busca de novos métodos e novos caminhos para nossa vida democrática.
Reforma política que estimule o povo brasileiro a retomar seu gosto
e sua admiração pela política.
Queridas brasileiras e queridos
brasileiros,
Neste momento solene de posse é
importante que eu detalhe algumas ações e atitudes concretas que
vão nortear nosso segundo mandato.
As mudanças que o país espera para os
próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da
credibilidade da economia. Isso, para nós todos, não é novidade.
Sempre orientei minhas ações pela convicção sobre o valor da
estabilidade econômica, da centralidade do controle da inflação e
do imperativo da disciplina fiscal, e a necessidade de conquistar e
merecer a confiança dos trabalhadores e dos empresários.
Mesmo em meio a um ambiente
internacional de extrema instabilidade e incerteza econômica, o
respeito a esses fundamentos econômicos nos permitiu colher
resultados positivos. Em todos os anos do meu primeiro mandato, a
inflação permaneceu abaixo do teto da meta e assim vai continuar.
Na economia, temos com o que nos
preocupar, mas também temos o que comemorar. O Brasil é hoje a 7ª
economia do mundo, o 2º maior produtor e exportador agrícola, o 3º
maior exportador de minérios, o 5º país que mais atrai
investimentos estrangeiros, o 7º país em acúmulo de reservas
cambiais e o 3º maior usuário de internet.
Além disso, é importante notar que a
dívida líquida do setor público é hoje menor do que no início do
meu mandato. As reservas internacionais estão em patamar histórico,
na casa dos US$ 370 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos
atingiram, nos últimos anos, volumes recordes.
Mais importante: a taxa de desemprego
está nos menores patamares já vivenciados na história de nosso
país. Geramos 5 milhões e 800 mil empregos formais em um período
em que o mundo submergia no desemprego. Porém queremos avançar
ainda mais e precisamos fazer mais e melhor!
Por isso, no novo mandato vamos criar,
por meio de ação firme e sóbria, firme e sóbria na economia, um
ambiente ainda mais favorável aos negócios, à atividade produtiva,
ao investimento, à inovação, à competitividade e ao crescimento
sustentável. Combateremos sem trégua a burocracia. Tudo isso
voltado para o que é mais importante e mais prioritário: a
manutenção do emprego e a valorização, muito especialmente a
valorização do salário mínimo, que continuaremos assegurando.
Mais que ninguém sei que o Brasil
precisa voltar a crescer. Os primeiros passos desta caminhada passam
por um ajuste nas contas públicas, um aumento na poupança interna,
a ampliação do investimento e a elevação da produtividade da
economia. Faremos isso com o menor sacrifício possível para a
população, em especial para os mais necessitados. Reafirmo meu
profundo compromisso com a manutenção de todos os direitos
trabalhistas e previdenciários.
Temos consciência que a ampliação e
a sustentabilidade das políticas sociais exige equidade e correção
permanente de distorções e eventuais excessos. Vamos, mais uma vez
derrotar a falsa tese que afirma existir um conflito entre a
estabilidade econômica e o crescimento do investimento social, dos
ganhos sociais e do investimento em infraestrutura.
Ao falar dos desafios da nossa
economia, faço questão de deixar uma palavra aos milhões de micro
e pequenos empreendedores do Brasil. Em meu primeiro mandato,
aprimoramos e universalizamos o Simples e ampliamos a oferta de
crédito para os pequenos empreendedores.
Quero, neste novo mandato, avançar
ainda mais. Pretendo encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de
lei criando um mecanismo de transição entre as categorias do
Simples e os demais regimes tributários. Vamos acabar com o abismo
tributário que faz os pequenos negócios terem medo de crescer. E
sabemos que, se o pequeno negócio não cresce, o país também não
cresce. Nos dedicaremos, ainda, a ampliar a competitividade do nosso
país e de nossas empresas.
Daremos prioridade ao desenvolvimento
da ciência, da tecnologia e da inovação, estimulando e
fortalecendo as parcerias entre o setor produtivo e nossos centros de
pesquisa e universidades.
Um Brasil mais competitivo está
nascendo também, a partir dos maciços investimentos em
infraestrutura, energia e logística. Desde 2007, foram duas edições
do Programa de Aceleração do Crescimento - o PAC-1 e o PAC-2 -, que
totalizaram cerca de R$ 1 trilhão e 600 bilhões em investimentos
em milhares de kms de rodovias, ferrovias; em obras nos portos,
nos terminais hidroviários e nos aeroportos. Em expansão da geração
e da rede de transmissão de energia. Em obras de saneamento e
ligações de energia do Luz para Todos.
Com o Programa de Investimentos em
Logística, demos um passo adiante, construímos parcerias com o
setor privado, implementando um novo modelo de concessões que
acelerou a expansão e permitiu um salto de qualidade de nossa
logística. Asseguramos concessões de aeroportos e de milhares
de km de rodovia e a autorização para terminais privados nos
portos.
Agora, vamos lançar o 3º PAC, o 3º
Programa de Aceleração do Crescimento e o segundo Programa de
Investimento em Logística. Assim, a partir de 2015 iniciaremos a
implantação de uma nova carteira de investimento em logística,
energia, infraestrutura social e urbana, combinando investimento
público e, sobretudo, parcerias privadas. Vamos aprimorar os
modelos de regulação do mercado, garantir que o mercado privado de
crédito de longo prazo, por exemplo, se expanda. Garantir também
que haja sustentação para os projetos de financiamento de grande
vulto.
Reafirmo ainda meu compromisso de
apoiar estados e municípios na tão desejada expansão da
infraestrutura de transporte coletivo em nossas cidades. Está em
andamento na realidade uma carteira de R$ 143 bilhões em obras de
mobilidade urbana por todo o Brasil.
Assinalo que, neste novo mandato,
daremos especial atenção à infraestrutura que vai nos conduzir ao
Brasil do futuro: a rede de internet em banda larga. Em 2014, em um
esforço conjunto com este Congresso Nacional, demos ao Brasil uma
das legislações mais modernas do mundo na área da internet, o
Marco Civil da Internet. Reitero aqui meu compromisso de, nos
próximos quatro anos, promover a universalização do acesso a um
serviço de internet em banda larga barato, rápido e seguro.
Quero reafirmar ainda o compromisso de
continuar reduzindo os desequilíbrios regionais, impulsionando
políticas transversais e projetos estruturantes, especialmente no
Nordeste e na região da Amazônia. Foi decisivo mitigar o impacto
desta prolongada seca no semi-árido nordestino, mas mais importante
será a conclusão da nova e transformadora infraestrutura de
recursos hídricos perenizando mais de 1.000 km de rios, combinada
com o importante investimento social em mais de um milhão de
cisternas.
Senhoras e Senhores,
Gostaria de anunciar agora o novo lema
do meu governo. Ele é simples, é direto e é mobilizador. Reflete
com clareza qual será a nossa grande prioridade e sinaliza para qual
setor deve convergir o esforço de todas as áreas do governo. Nosso
lema será: BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA!
Trata-se de lema com duplo significado.
Ao bradarmos "BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA" estamos dizendo
que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que
devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador,
uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento
republicano.
Só a educação liberta um povo e lhe
abre as portas de um futuro próspero. Democratizar o conhecimento
significa universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os
níveis – da creche à pós-graduação; Significa também levar a
todos os segmentos da população – dos mais marginalizados, aos
negros, às mulheres e a todos os brasileiros a educação de
qualidade.
Ao longo deste novo mandato, a educação
começará a receber volumes mais expressivos de recursos oriundos
dos royalties do petróleo e do fundo social do pré-sal. Assim, à
nossa determinação política se somarão mais recursos e mais
investimentos.
Vamos continuar expandindo o acesso às
creches e pré-escolas garantindo para todos, o cumprimento da meta
de universalizar, até 2016, o acesso de todas as crianças de 4 e 5
anos à pré-escola. Daremos sequência à implantação da
alfabetização na idade certa e da educação em tempo integral.
Condição para que a nossa ênfase no ensino médio seja efetiva
porque através dela buscaremos, em parceria com os estados, efetivar
mudanças curriculares e aprimorar a formação dos professores.
Sabemos que essa é uma área frágil no nosso sistema educacional.
O Pronatec oferecerá, até 2018, 12
milhões de vagas para que nossos jovens, trabalhadores e
trabalhadoras tenham mais oportunidades de conquistar melhores
empregos e possam contribuir ainda mais para o aumento da
competitividade da economia brasileira. Darei especial atenção ao
Pronatec Jovem Aprendiz, que permitirá às micro e pequenas empresas
contratarem um jovem para atuar em seu estabelecimento.
Vamos continuar apoiando nossas
universidades e estimulando sua aproximação com os setores mais
dinâmicos da nossa economia e da nossa sociedade. O Ciência Sem
Fronteiras vai continuar garantindo bolsas de estudo nas melhores
universidades do mundo para 100 mil jovens brasileiros.
Queridas e queridos brasileiros e
brasileiras
O Brasil vai continuar como o país
líder, no mundo, em políticas sociais transformadoras. Aos
beneficiários do Bolsa Família continuaremos assegurando o acesso
às políticas sociais e a novas oportunidades de renda. Destaque
será dado à formação profissional dos beneficiários adultos e à
educação das crianças e dos jovens.
Com a terceira fase do Minha Casa,
Minha Vida contrataremos mais 3 milhões de novas moradias, que se
somam aos 2 milhões de moradias entregues até 2014 e às 1 milhão
e 750 mil moradias que estão em construção e que serão entregues
neste segundo mandato.
Na saúde, reafirmo nosso compromisso
de fortalecer o SUS. Sem dúvida, a marca mais forte do meu governo,
no primeiro mandato, foi a implantação do Mais Médicos, que levou
o atendimento básico de saúde a mais de 50 milhões de brasileiros,
nas áreas mais vulneráveis do nosso país. Persistiremos, ampliando
as vagas em graduação e em residência médica, para que cada vez
mais jovens brasileiros possam se tornar médicos e assegurar
atendimento ao povo brasileiro. Neste segundo mandato, vou implantar
o Mais Especialidades para garantir o acesso resolutivo e em tempo
oportuno aos pacientes que necessitem de consulta com especialista,
exames e os respectivos procedimentos.
Assumo, com todas as brasileiras e
brasileiros, o compromisso de redobrar nossos esforços para mudar o
quadro da segurança pública em nosso país. Instalaremos Centros de
Comando e Controle em todas as capitais, ampliando a capacidade de
ação de nossas polícias e a integração dos órgãos de
inteligência e das forças de segurança pública. Reforçaremos as
ações e a nossa presença nas fronteiras para o combate ao tráfico
de drogas e de armas com o Programa Estratégico de Fronteiras,
realizado em parceria entre as Forças Armadas e as polícias
federais, entre o Ministério de Defesa e o Ministério da Justiça.
Vou, sobretudo, propor ao Congresso
Nacional alterar a Constituição Federal, para tratar a segurança
pública como atividade comum de todos os entes federados, permitindo
à União estabelecer diretrizes e normas gerais válidas para todo o
território nacional, para induzir políticas uniformes no país e
disseminar a adoção de boas práticas na área policial.
Senhoras e senhores,
Investimos muito e em todo o país sem
abdicar, um só momento, do nosso compromisso com a sustentabilidade
ambiental, a sustentabildiade ambiental do nosso desenvolvimento. Um
dado explicita este compromisso: alcançamos, nos quatro anos de meu
primeiro mandato, as quatro menores taxas de desmatamento da
Amazônia.
Nos últimos 4 anos, o Congresso
Nacional aprovou um novo Código Florestal e implementamos o Cadastro
Ambiental Rural, o CAR. Vamos aprofundar a modernização de nossa
legislação ambiental e, já a partir deste ano, nos engajaremos
fortemente nas negociações climáticas internacionais para que
nossos interesses sejam contemplados no processo de estabelecimento
dos parâmetros globais de redução de emissões.
Nossa inserção soberana na política
internacional continuará sendo marcada pela defesa da democracia,
pelo princípio de não-intervenção e respeito à soberania das
nações, pela solução negociada dos conflitos, pela defesa dos
Direitos Humanos, e pelo combate à pobreza e às desigualdades, pela
preservação do meio ambiente e pelo multilateralismo. Insistiremos
na luta pela reforma dos principais organismos multilaterais, cuja
governança hoje não reflete a atual correlação de forças global.
Manteremos a prioridade à América do
Sul, América Latina e Caribe, que se traduzirá no empenho em
fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Comunidade dos Países da América
Latina e do Caribe (Celac), sem discriminação de ordem ideológica.
Agradeço, inclusive, a presença de meus queridos colegas e
governantes da América Latina aqui presentes. Da mesma forma será
dada ênfase a nossas relações com a África, com os países
asiáticos e com o mundo árabe.
Com os Brics, nossos parceiros
estratégicos globais - China, Índia, Rússia e África do Sul –,
avançaremos no comércio, na parceria científica e tecnológica,
nas ações diplomáticas e na implementação do Banco de
Desenvolvimento dos Brics e na implementação também do acordo
contingente de reservas.
É de grande relevância aprimorarmos
nosso relacionamento com os Estados Unidos, por sua importância
econômica, política, científica e tecnológica, sem falar no
volume de nosso comércio bilateral. O mesmo é válido para nossas
relações com a União Européia e com o Japão, com os quais temos
laços fecundos.
Em 2016, os olhos do mundo estarão
mais uma vez voltados para o Brasil, com a realização das
Olimpíadas. Temos certeza que mais uma vez, como aconteceu na Copa,
vamos mostrar a capacidade de organização do Brasil e, agora, numa
das mais belas cidades do mundo, o nosso Rio de Janeiro.
Amigos e amigas,
Tudo que estamos dizendo, tudo que
estamos propondo converge para um grande objetivo: ampliar e
fortalecer a democracia, democratizando verdadeiramente o poder.
Democratizar o poder significa lutar pela reforma política, ouvir
com atenção a sociedade e os movimentos sociais e buscar a opinião
do povo para reforçar a legitimidade das ações do Executivo.
Democratizar o poder significa combater energicamente a corrupção.
A corrupção rouba o poder legítimo do povo. A corrupção ofende e
humilha os trabalhadores, os empresários e os brasileiros honestos e
de bem. A corrupção deve ser extirpada.
O Brasil sabe que jamais compactuei com
qualquer ilícito ou malfeito. Meu governo foi o que mais apoiou o
combate à corrupção, por meio da criação de leis mais severas,
pela ação incisiva e livre de amarras dos órgãos de controle
interno, pela absoluta autonomia da Polícia Federal como instituição
de Estado, e pela independência sempre respeitada diante do
Ministério Público. Os governos e a Justiça estarão cumprindo os
papéis que se espera deles: se punirem exemplarmente os corruptos e
os corruptores.
A luta que vimos empreendendo contra a
corrupção e, principalmente, contra a impunidade, ganhará ainda
mais força com o pacote de medidas que me comprometi durante a
campanha, e me comprometo a submeter à apreciação do Congresso
Nacional ainda neste primeiro semestre.
São cinco medidas: transformar em
crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem
justificativa ou não demonstrem a origem dos seus ganhos; modificar
a legislação eleitoral para transformar em crime a prática de
caixa 2; criar uma nova espécie de ação judicial que permita o
confisco dos bens adquiridos de forma ilícita ou sem comprovação;
alterar a legislação para agilizar o julgamento de processos
envolvendo o desvio de recursos públicos; e criar uma nova
estrutura, a partir de negociação com o Poder Judiciário que dê
maior agilidade e eficiência às investigações e processos movidos
contra aqueles que têm foro privilegiado.
Em sua essência, essas medidas têm o
objetivo de garantir processos e julgamentos mais rápidos e punições
mais duras, mas jamais poderão agredir o amplo direito de defesa e o
contraditório; jamais poderão significar a condenação prévia sem
defesa de inocentes.
Estou propondo um grande pacto nacional
contra a corrupção, que envolve todas as esferas de governo e todos
os núcleos de poder, tanto no ambiente público como no ambiente
privado.
Senhoras e Senhores,
Como fiz na minha diplomação, quero
agora me referir a nossa Petrobras, uma empresa com 86 mil empregados
dedicados, honestos e sérios, que teve, lamentavelmente, alguns
servidores que não souberam honrá-la, sendo atingidos pelo combate
à corrupção.
A Petrobras já vinha passando
por um vigoroso processo de aprimoramento de gestão. A realidade
atual só faz reforçar nossa determinação de implantar, na
Petrobras, a mais eficiente e rigorosa estrutura de governança e
controle que uma empresa já teve no Brasil.
A Petrobras é capaz disso e capaz de
muito mais. Ela se tornou a maior empresa do mundo em capacitação
técnica para a prospecção de petróleo em águas profundas. Daí
resultou a maior descoberta de petróleo deste início de século –
as jazidas do pré-sal -, cuja exploração, que já é realidade,
vai tornar o Brasil um dos maiores produtores de petróleo do
planeta.
Temos muitos motivos para preservar e
defender a Petrobras de predadores internos e de seus inimigos
externos. Por isso, vamos apurar com rigor tudo de errado que foi
feito e fortalecê-la cada vez mais. Vamos, principalmente, criar
mecanismos que evitem que fatos como estes possam voltar a ocorrer. O
saudável empenho da Justiça, de investigar e punir, deve também
nos permitir reconhecer que a Petrobras é a empresa mais estratégica
para o Brasil e a que mais contrata e investe no país.
Temos, assim, que saber apurar e saber
punir, sem enfraquecer a Petrobras, nem diminuir a sua importância
para o presente e para o futuro. Não podemos permitir que a
Petrobras seja alvo de um cerco especulativo de interesses
contrariados com a adoção do regime de partilha e da política de
conteúdo nacional, partilha e política de conteúdo nacional que
asseguraram ao nosso povo o controle sobre nossas riquezas
petrolíferas. A Petrobras é maior do que quaisquer crises e, por
isso, tem capacidade de superá-las e delas sair mais
forte.
Queridos brasileiros e queridas
brasileiras,
O Brasil não será sempre um país em
desenvolvimento. Seu destino é ser um país desenvolvido e justo, e
é este destino que estamos construindo e buscando cada vez mais, com
o esforço de todos, construir. Uma nação em que todas as pessoas
tenham as mesmas oportunidades: de estudar, trabalhar, viver em
condições dignas na cidade ou no campo. Um país que respeita
e preserva o meio ambiente e onde todas as pessoas podem ter os
mesmos direitos: à liberdade de informação e de opinião, à
cultura, ao consumo, à dignidade, à igualdade independentemente de
raça, credo, gênero ou sexualidade.
Dedicarei obstinadamente todos os meus
esforços para levar o Brasil a iniciar um novo ciclo histórico de
mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no
fortalecimento de uma política econômica estável, sólida,
intolerante com a inflação, e que nos leve a retomar uma fase de
crescimento robusto e sustentável, com mais qualidade nos serviços
públicos. Assumo aqui um compromisso com o Brasil que produz e com o
Brasil que trabalha.
Reafirmo também o meu respeito e a
minha confiança no Poder Judiciário, no Congresso Nacional, nos
partidos e nos representantes do povo brasileiro. Reafirmo minha fé
na política, na política que transforma para melhor a vida do povo.
Peço aos senhores e às senhoras parlamentares que juntemos as mãos
em favor do Brasil, porque a maioria das mudanças que o povo exige
tem que nascer aqui, na grande casa do povo.
Meus amigos e minhas amigas,
Já estive algumas vezes um pouco perto
da morte e destas situações saí uma pessoa melhor e mais forte.
Sou ex-opositora de um regime de força
que provocou em mim dor e me deixou cicatrizes, mas não tenho nenhum
revanchismo. Mas este processo jamais destruiu em mim o sonho de
viver num país democrático e a vontade de lutar e de construir este
país cada vez melhor. Por isso, sempre me emociono ao dizer que eu
sou uma sobrevivente. Também enfrentei doenças mas, se me permitem,
quero dizer mais: pertenço a uma geração vencedora. Uma geração
que viu a possibilidade da democracia no horizonte e viu ela se
realizar.
Essas duas características, elas me
aproximam do povo brasileiro - ele também, um sobrevivente e um
vitorioso, que jamais abdica de seus sonhos. Luta para realizá-los.
Deus colocou em meu peito um coração
cheio de amor pela minha pátria. Antes de tudo, o que a música
cantava, um coração valente, não é que a gente não tem medo de
nada, a gente controla o medo. Um coração que dispara no peito com
a energia do amor, do sonho e, sobretudo, com a possibilidade de
construir um Brasil desenvolvido. Eu não tenho medo de proclamar
para vocês que nós vamos vencer todas as dificuldades, porque temos
a chave para vencê-las, vencer todas as dificuldades.
Esta chave pode ser resumida num verso,
e esse verso tem, de uma certa forma, sabor de oração, que diz o
seguinte:
"O impossível se faz já; só os
milagres ficam para depois".
Muito Obrigada.
Viva o Brasil e viva o povo
brasileiro!"





Comentários
Postar um comentário