Reflexões sobre o livro de Paulo Freire, Educação Como Prática da Liberdade. Edit. Paz e Terra 17ª edição. 1983
Aqui se encontram a sua visão pedagógica e seu método de ensino. Nos propõe uma Pedagogia da Liberdade. Em que se diz ser urgente um movimento popular brasileiro a emergência de uma reação política das classes populares na construção do nosso país. E ele acreditava que isso só seria possível com uma educação voltada para a liberdade. Com a participação livre e crítica dos educandos. Com uma nova Escola desenvolvida nos Círculos de Cultura e através do Diálogo, este coordenado jamais imposto. Esse coordenador descobriria junto com os educandos as palavras geradoras deste Diálogo. Que geraria os Temas para os Debates nos Círculos de Cultura. Dessa forma a alfabetização se daria conjuntamente com a conscientização e as soluções dos problemas da comunidade. Portanto, uma pedagogia para homens livres. Para Paulo Freire só poderia existir uma Educação como Prática da Liberdade. Que se reporta a Maiêutica Socrática, que diz que a conquista do saber se realiza só com a livre consciência. Compreendendo que os trabalhos nos Círculos de Cultura só podem acontecer com a consciência de que a liberdade e a crítica fazem parte do modo de ser do homem. E o aprendizado só pode ocorrer no contexto livre e crítico das relações entre os educandos e o coordenador. Este debate que acontece antes da alfabetização e que abre o trabalho nos Círculos de Cultura é também o início da conscientização.
Ao tomar consciência de que é um homem livre ou que seu objetivo é libertar-se da opressão em que ele vive este homem não quer perder nunca mais sua liberdade. Ele jamais se deixará oprimir novamente. E claro homens e mulheres livres são incontroláveis, esse tipo de gente não interessa ao sistema. Portanto, esse método de Paulo Freire era revolucionário, em 30 dias as pessoas tomavam consciência de sua liberdade e aprendiam a ler. Uma vez conscientes de seus deveres e direitos estes homens e mulheres partiam para a organização das massas para a ação. Em Angicos no RN foram alfabetizados 300 trabalhadores em 45 dias. O Plano de 1964 era criar 20.000 Círculos de Cultura e planejavam alfabetizar 2 milhões de brasileiros e brasileiras nas zonas urbanas e rurais. Esse movimento de educação popular propunha ascensão democrática das massas. Através do povo alfabetizado se ampliaria a participação popular na democratização do Brasil. E claro um povo livre é um povo que luta pelos seus direitos destes grupos que concluíram sua alfabetização muitos tentaram se organizar em defesa dos seus interesses em Sindicatos em Conselhos pois essa Pedagogia para a Liberdade, para a decisão, desenvolvia uma responsabilidade social e política nos educandos.
Os “ignorantes” não poderiam participar criticamente e livremente da democracia, não podiam votar e ser votados para os cargos públicos. Os grupos das elites que vivem agarrados aos seus privilégios se desesperam e tentam conter esse processo de transformação estrutural.
O movimento de educação popular era um dos germes que podia quebrar o status quo das classes privilegiadas. Em abril de 1964 os grupos reacionários chamaram as armas para resolver essa polêmica. E assim as bases de um verdadeira Pedagogia Democrática, para a libertação das classes populares é desfeita e seu criador exilado como um inimigo do Brasil.



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