RACISMO E FEMINISMO
Existe racismo dentro do movimento feminista?
Quando as mulheres negras sentem sororidade feminina?
A mulher já nasce fragilizada dentro da sua própria família, aos meninos sempre são dedicadas
as melhores coisas, afinal ele vai ter que ser forte e brigar por um mundo melhor, pelos melhores empregos, pelas mulheres mais bonitas, etc e tal.
As mulheres vão ser preparadas pra melhorar a aparência, e ter um marido que lhe dê dignidade numa vida sexual ativa. Ou ficarem solteiras e solitárias enfurnadas dentro de sua própria casa.
Parece história antiga? Coisas do século passado? Antes fosse. Há se já tivéssemos superado tudo isso.
Estamos no século 21 e pouca coisa mudou.
Mas o tema é a sororidade feminina diante da mulher negra e ativa.
A mulher foi criada pra passividade, esperar que homens conquiste o mundo e ela no máximo viva ao seu lado absorvendo o brilho de seu marido, namorado, irmão ou colega de trabalho.
Mas muitas mulheres disseram NÃO, eu não quero só isso. Quero ser protagonista do meu próprio destino. Quero estudar, trabalhar, criar, ser protagonista da minha vida e da história. Exemplo de guerreiras assim temos muitas, mas muitas delas perderam suas próprias vidas tentando SER.
A luta feminista vem de muito tempo e conseguimos alcançar alguma coisa, mas sororidade estamos apenas no começo. Lembro de quando criança como as meninas eram competitivas umas com as outras. Nasci numa família de 03 meninas mais velhas e dois meninos mais novos. Nós irmãs vivíamos em eterna competição estimuladas por minha vó paterna que morava conosco. Ela tinha preferencia pela minha irmã mais velha e todos os presentes que ela comprava pra gente o da irmã mais velha sempre era o melhor, os produtos de beleza e higiene corporal, as frutas e alimentos eram sempre melhores pra esta irmã. Eu como sendo a mais nova das 3 sonhava com a herança de tudo, brinquedos, livros, roupas, material escolar. Ficava torcendo pra que ela se entendiasse e sobrasse pra mim, lógico depois de minha irmã do meio, segunda na ordem de sucessão. Sempre pegava tudo surrado e quebrado na maioria das vezes mas quando eu queria muito adorava quando passava a ser meu. As vezes minha irmã quando brigávamos preferia jogar fora a ter que me dar. Então essa foi minha formação em poucas palavras...sororidade zero. Até as amizades nos três disputávamos e algumas regras foram criadas pra evitar conflito, quem cultivasse amigos ou amigas não poderia ser amigo@ da outra. Paqueras e namorados a mesma regra, mas essa nenhuma das duas respeitava. Tive garotos que estava completamente apaixonada que elas simplesmente vinham e davam o bote, eu chorava reclamava com minha mãe mas ela dizia que elas não tinham culpa e que o amor falou mais forte. Comecei a namorar na rua, não levava mais pra casa e aí a paz reinou entre nós. Mas só pude ter alguém sem medo de perder pra elas quando as duas casaram. Portanto, minha primeira experiencia de sororidade feminina nunca me aconteceu. As amigas da minha época também eram todas extremamente competitivas tive poucas amigas mulheres ao longo de minha vida, cultural, escolar ou profissional. Elas sempre destacavam meus "defeitos" e diziam que por conta disso eu nunca me casaria, teria uma profissão ou faria um curso universitário. Minhas inimigas femininas. Claro que para não me sentir tão solitária comecei a fazer amizade com meninos gays e garotos que se interessavam por mim até conhecer uma das minhas irmãs, primas e conhecidas, aí eles se afastavam de mim porque começavam a namorar com elas eu particularmente achava as mulheres umas traíras, quando casei e tive filhos, (um casal) tive medo de passar pra eles todo esse sentimento negativo que eu tinha sobre as mulheres. Sempre as achei tiranas e odiosas. Daí tive uma filha mulher e finalmente tive uma relação de amor com uma delas. Minha filha foi a primeira pessoa que eu quis ouvir falar sobre sororidade feminina, ela acredita mesmo que isso existe e tem amigas que também acreditam, e exercitam essa sororidade. Elas sabem que não é fácil mas elas cultivam e leem muitas escritoras que falam sobre o assunto. Comecei a ler a respeito do tema mas brigo muito com as escritoras principalmente aquelas que dizem que existe e é naturalmente possível. Ultimamente tenho lido algumas escritoras negras que falam sobre o assunto e foi então que descobri que nesse universo ainda existe um outro preconceito, o das mulheres brancas com as mulheres negras. Que o universo machista não só alimentava a competição entre as mulheres "iguais" da mesma família, de mesma raça, credo ou classe social mas alimentavam a discórdia entre mulheres de raça, credo e classes sociais diferentes. Portanto, amigas e companheiras não brigamos só por um lugar ao sol e pra sermos protagonistas de nossa vida e de nossa história mas lutamos contra nós mesmas. Espero que nesse exercício de sororidade que surgiu na geração da minha filha, um dia as mulheres possam ser amigas entre si e tomem o destino
desse mundo machista, talvez seja disso que o mundo precise de uma administração feminina e feminista. Quem viver verá!


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